quarta-feira, 8 de junho de 2011

o menino [sempre] me dá a mão

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Quero ser tua amiga. Nem demais, nem de menos. Nem tão longe,
nem tão perto. Na medida mais precisa que eu puder. Ficar na tua vida por conta da insolubilidade do que nos une. Quero ficar na tua vida de alguma forma, e que ela se dê da maneira mais discreta que eu souber, sem te tirar a liberdade, sem te sufocar. Sem forçar ou induzir tua vontade. Sem falar quando for hora de calar, sem calar quando for hora de falar. Nem ausente, nem presente por demais. Simplesmente, calmamente, ser-te paz.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

open / close



'Tenho por princípios nunca fechar portas,

mas como mantê-las abertas o tempo todo,
se em certos dias o vento quer derrubar tudo?'

SALOMÃO, Jorge



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tempestade, areia, ventania e caos...
...brisa, orvalho, jardim em flor e ventura

.[renascendo]

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

nirvana

Olhar um vídeo de um casal dançando (ou de si mesmo com alguém) não diz muita coisa sobre o que é dançar junto. Há toda uma dinâmica interna ao corpo, uma misteriosa relação com o outro e com a música. Talvez a dança (de salão) seja um dos raros modos de relação que se aproximem do sexo na possibilidade de movimentar a energia, a respiração, a emoção do outro. É por isso que às vezes conseguimos parar o mundo no fim do facão, no samba de gafieira, entre qualquer passo de tango ou mesmo em alguma travada do forró.

Se bem conduzida, se o casal congela precisamente junto com uma pausa da música (no meio ou no fim), o contraste com a agitação anterior abre os sentidos e cria a sensação de completa expansão temporal e espacial. Quando voltamos a conversar com os amigos ao redor, parece que acabamos de sair de outro universo. De fato, não estávamos dançando. Deve existir outro verbo pra isso.

GITTI, Gustavo

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Dá até um certo alívio saber que não sou a única no mundo a ter a mesma opinião e sensação, o que é ainda melhor. É isso, exatamente isso. Outro dia ouvi alguém dizer que a dança é uma espécie de mantra, eu já acho que [quando rola a conexão] é o próprio nirvana. Se não for, muito provavelmente o tal 'clímax' não deve existir.

* Super vale à pena dar uma passada no blog do Gustavo: Não2Não1

* Também super vale à pena dançar com meu irmão de coração e de vida, vulgo "Jadão"!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

malvadeza way of life

'Estamos em busca de novos talentos, se você tem interesse em ser colaborador(a) do blog, mande um e-mail para vanessa@malvadas.org dizendo o que você gosta de fazer (textos, vídeos, podcast). No mais, valeu moçada. Vocês são do caralho!'

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Pois é, esta foi a mensagem com a qual me deparei no .:Malvadas.: (blog querido e visitado religiosamente) há quase 1 mês atrás. Bem, o resultado vocês já devem imaginar. Logo, por favor, não deixem de passar por lá e darem uma conferida nos nossos posts melévolos :P

terça-feira, 30 de novembro de 2010

não é preciso

'Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo'

PESSOA, Fernando.
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Ah, sim, isso é uma catarse. E não é que, de alguma forma, sempre achei que Fernando Pessoa participaria efetivamente da minha história?!? rs
Engraçado que, na maioria das vezes, achava um pouco pretensioso demais um artista, desse jeito assim; tão incrível, tão real, tão 'logo ali', estar interessado em ficar (algum tempo, pelo menos) -
justamente - ao meu lado...Tão aqui. Definitivamente, a permissividade é sinônima da proximidade.

domingo, 21 de novembro de 2010

de ninar

Peixe Vivo - Milton Nascimento (clique ao lado para ouvir)

A minha alma chorou tanto,
Que de pranto está vazia
Desde que aqui fiquei,
Sem a sua companhia
Não há pranto sem saudade
Nem amor sem alegria
É por isso que eu reclamo
Essa tua companhia
Como pode um peixe vivo
Viver fora da água fria?
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia?
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia?

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A questão ultrapassa a dúvida, é nem cogitar a possibilidade dela existir. Como se passasse a ser - a partir de agora - testemunha ocular da vulnerabilidade da permanência das coisas titubear diante do inevitável. Que, ainda assim, é tudo o que se quer evitar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

XX, oras!

Super Homem, a Canção

Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter

Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver

Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher

GIL, Gilberto

--> vale à pena ouvir: (clique aqui)

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Eu conheço uma família formada, basicamente, por mulheres. Aliás, conheço algumas famílias com esse mesmo formato. O interessante é observar o comportamento delas entre si mesmas durante um período de tempo. A maioria das mulheres dessa família, em especial, tem filhos; na verdade, filhas e isso só torna os fatos ainda mais reveladores. Três ou quatro delas têm marido, algumas são solteiras, se não me engano duas divorciadas e as outras duas são viúvas. Apesar da presença dos homens naquele cotidiano, me parece que ali há alguma espécie de energia predominantemente feminina. Como se a condição de mulher as tornassem as principais geradoras da força motriz que move aquela família. Talvez não pela quantidade delas, mas sim pelas características intrigantemente semelhantes. Acho que se fossem bichos seriam leoas, não pela questão da agressividade e sim pelo ardor da proteção. Os filhos são crias de todas elas, independente do ventre que vieram. É, eu acredito mesmo que as fêmeas – de um modo geral – já trazem consigo um tanto de ardor no instante em que nascem. Ao longo do tempo, provavelmente, a coisa vai tomando mais corpo e se instalando aos poucos no cérebro durante os primeiros 15 ou 20 anos de vida. Então, de repente, tudo vem à tona como um estalo precedendo uma avalanche gigantesca (cheia de questões, incógnitas e possibilidades) que te atropela e já avassala antes mesmo de terminar de passar completamente por cima de você. Aos 25 você já distingue perfeitamente quando as cobranças começam a se transformar em questão de gênero e deixam de ser por conta da idade. É quando os sintomas da mulherzice aguda já estão perceptíveis, completamente à flor da pele. Confesso que só me dei conta efetivamente da coisa do se ‘flagrar deixando escapar naturalmente um bocado de feminilidade’ há uns dias atrás. O fato é que, na verdade, eu teria usado a palavra feminismo ao invés de feminilidade, mas resolvi trocá-la por ter tido novamente a mesmíssima e quase incômoda sensação ao ouvir (de um certo moço) que eu era feminista. O sentimento inicial foi uma espécie de repulsa por ter percebido o termo como algo ligeiramente pejorativo. Com o passar do tempo e o desenrolar dos argumentos fui digerindo aos poucos o fato de que dificilmente conseguiremos deixar de lado nossa essência. Essa combinação de fatores não faz parte de uma equação matemática onde somando ou diminuindo elementos mais ou menos suaves é que se chega à fórmula exata para definir ou até mesmo diferenciar o âmago feminino do masculino. Há muito mais fortaleza, racionalidade e equilíbrio permeando o mundo cor de rosa (volta e meia também fica amarelo, branco, preto e azul; quando fica vermelho é meu período predileto) do que podemos imaginar. O que constitui o ser e a natureza das coisas, o que há de mais puro e subtil [nos corpos], como na definição de essência no dicionário, é o que realmente somos. Sendo assim: mulher às voltas com o eterno e doce drama de se permitir e (re) descobrir envolta no universo feminino.