
'Tenho por princípios nunca fechar portas,
mas como mantê-las abertas o tempo todo,
se em certos dias o vento quer derrubar tudo?'
SALOMÃO, Jorge
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...brisa, orvalho, jardim em flor e ventura
Olhar um vídeo de um casal dançando (ou de si mesmo com alguém) não diz muita coisa sobre o que é dançar junto. Há toda uma dinâmica interna ao corpo, uma misteriosa relação com o outro e com a música. Talvez a dança (de salão) seja um dos raros modos de relação que se aproximem do sexo na possibilidade de movimentar a energia, a respiração, a emoção do outro. É por isso que às vezes conseguimos parar o mundo no fim do facão, no samba de gafieira, entre qualquer passo de tango ou mesmo em alguma travada do forró.
'Estamos em busca de novos talentos, se você tem interesse em ser colaborador(a) do blog, mande um e-mail para vanessa@malvadas.org dizendo o que você gosta de fazer (textos, vídeos, podcast). No mais, valeu moçada. Vocês são do caralho!'--
Pois é, esta foi a mensagem com a qual me deparei no .:Malvadas.: (blog querido e visitado religiosamente) há quase 1 mês atrás. Bem, o resultado vocês já devem imaginar. Logo, por favor, não deixem de passar por lá e darem uma conferida nos nossos posts melévolos :P
'Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.A minha alma chorou tanto,
Que de pranto está vazia
Desde que aqui fiquei,
Sem a sua companhia
Não há pranto sem saudade
Nem amor sem alegria
É por isso que eu reclamo
Essa tua companhia
Como pode um peixe vivo
Viver fora da água fria?
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia?
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia?
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A questão ultrapassa a dúvida, é nem cogitar a possibilidade dela existir. Como se passasse a ser - a partir de agora - testemunha ocular da vulnerabilidade da permanência das coisas titubear diante do inevitável. Que, ainda assim, é tudo o que se quer evitar.
Super Homem, a CançãoUm dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter
Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver
Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser
Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher
Então, de repente, tudo vem à tona como um estalo precedendo uma avalanche gigantesca (cheia de questões, incógnitas e possibilidades) que te atropela e já avassala antes mesmo de terminar de passar completamente por cima de você. Aos 25 você já distingue perfeitamente quando as cobranças começam a se transformar em questão de gênero e deixam de ser por conta da idade. É quando os sintomas da mulherzice aguda já estão perceptíveis, completamente à flor da pele. Confesso que só me dei conta efetivamente da coisa do se ‘flagrar deixando escapar naturalmente um bocado de feminilidade’ há uns dias atrás. O fato é que, na verdade, eu teria usado a palavra feminismo ao invés de feminilidade, mas resolvi trocá-la por ter tido novamente a mesmíssima e quase incômoda sensação ao ouvir (de um certo moço) que eu era feminista. O sentimento inicial foi uma espécie de repulsa por ter percebido o termo como algo ligeiramente pejorativo. Com o passar do tempo e o desenrolar dos argumentos fui digerindo aos poucos o fato de que dificilmente conseguiremos deixar de lado nossa essência. Essa combinação de fatores não faz parte de uma equação matemática onde somando ou diminuindo elementos mais ou menos suaves é que se chega à fórmula exata para definir ou até mesmo diferenciar o âmago feminino do masculino. Há muito mais fortaleza, racionalidade e equilíbrio permeando o mundo cor de rosa (volta e meia também fica amarelo, branco, preto e azul; quando fica vermelho é meu período predileto) do que podemos imaginar. O que constitui o ser e a natureza das coisas, o que há de mais puro e subtil [nos corpos], como na definição de essência no dicionário, é o que realmente somos. Sendo assim: mulher às voltas com o eterno e doce drama de se permitir e (re) descobrir envolta no universo feminino.
* Outro dia alguém, que não me recordo ao certo, me contou uma situação que custei a digerir. Então era isso, pra começar as férias com o pé direito. Depois de verem um filme o balanço total do dia resultou a três amigos, mais ou menos, uns 6 a 8 murros na boca do estômago só nos primeiros 40 minutos de iniciada a sessão. Antes que eu comece a destrinchar as questões do filme, vou logo dizendo que esta será a pauta do próximo post ;)
Em todo o caso, após o cinema, o biricutico livrou aquele trio de almas de uma ida – sem escalas – ao quentinho aconchego de suas caminhas e, em especial, porque ali estariam os lindos travesseiros prestes a ficar encharcados por conta do pocinho de lágrimas que deixariam ali nas próximas horas. Aaai, o álcool... Providencialmente sensato.
Ultrapassado o domingo, eis a aí o tão sonhado primeiro dia de férias.
- Eis que na segunda-feira, de repente, me vejo atropelado (a) por uma enxurrada de palavras um tanto desconexas e outras tantas, na maior parte do tempo, incoerentes. Duras, secas e reais. Deve ser porque precisam se parecer com o (a) destinatário (a), só pra assegurar que são para ele (a) mesmo.
E aí a grande revelação veio à tona: me deparo com um colossal “não consigo te imaginar chorando”, evidentemente antecedido pelo tão tradicional “quero que você seja feliz”. É um clichê bem propício e elegante para aqueles que saem de uma (pseudo) relação e conseguem se manter supostamente maduros. Pronto! Bastou para se tornar o estopim de um surto de pânico.
- Não por não me enquadrar na categoria dos que saem supostamente maduros, mas por perceber que mesmo após um tempo de convivência é bem provável que as pessoas mais próximas de nós e, teoricamente, com maior afinidade, não façam a menor ideia de quem realmente sejamos.
Caceta! Imagina só...¿ Aliás, não! Não imagina! E não é que existe mesmo quem ache que nunca fosse capaz de chorar¿! Aaaahhhhh...!!!
[pausa para um palavrão hediondo dito aos berros]
* Aconteceu com uma amiga de uma amiga minha...
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Caramba! E se foi tanto tempo, tanta energia, prosa e poesia por algo que nem sabia se era ou não real¿ Por favor, não quero colocar em questão aqui a validade e a veracidade dos fatos, das
sensações e menos ainda dos sentimentos. Ainda que os tenha inventado, eles existiram porque eu tratei de tocá-los (também pode ter sido coisa da minha cabeça). Deve ser porque os inventei justamente pra isso! Ainda pensando na coisa do “não conhecer o outro”. Será que nós também não o conheceremos e nunca conhecemos anteriormente¿ Será que tudo não passou/passa de uma mera projeção dos nossos desejos e expectativas¿ Será que o que queremos, na verdade, é forçar uma barra para materializarmos nossas probabilidades de relacionamentos de sucesso¿ Sabe aquela coisa meio parnasiana de tudo milimétrico e corretamente perfeito¿! Meu Pai eterno! Será que não era o outro¿ Será que não era eu¿ Será que nunca fui¿ Será que nunca fomos¿ Bem... Em todo o caso, não mais será. Ao passo que algumas coisas parecem fazer uma força danada para acontecerem, outras... Simplesmente não acontecem! Daí a gente precisa mesmo parar de querer competir com a vida, parar de querer enfrentá-la o tempo inteiro a ponto de nos colocar um contra o outro só para pôr a prova quem é mais esperto ou mais criativo. O risco é muito alto. Até mesmo porque... Ela pode nos ganhar de lavada!
Ok, você venceu. Eu me rendo =D